terça-feira, 12 de abril de 2011

.o limbo

Escolhi estudar jornalismo porque gosto de histórias. Gosto de contar histórias, gosto de inventar histórias e gosto de ouvir histórias. E a profissão de jornalista é basicamente isso. Independente da plataforma onde o profissional irá atuar, o jornalismo é a arte de ouvir uma história, refletir ainda que um mínimo sobre ela e passá-la adiante.

Mas eu tenho um problema. Sou uma pessoa imagética. Já trabalhei como desenhista de histórias em quadrinhos, produtor de vídeo pra TV, ilustrador, atendente de locadora (foi o mais próximo de trabalhar com cinema que eu consegui - ainda). Quando eu penso um texto, penso em como ele estará impresso na página, ou aonde vai aparecer na tela da TV, ou em como ele vai ser visualmente gostoso de se olhar na tela de um computador.

Tive uma discussão certa vez com um professor, o genial Maurício Guilherme, sobre essas minhas predileções. Porque o curso de jornalismo é um curso de texto. Aprende-se a escrever para jornal, escrever para revista, escrever para rádio, escrever para TV. É tudo texto. É tudo gramática bem usada. E eu quero mais.

Quero um texto fodão, acompanhado de uma foto linda. E quero pensar nessa foto. Quero que esse texto fodão e essa foto linda estejam em uma página bem diagramada. Quero dar pitaco nessa diagramação. O jornalista da faculdade aprende a pensar no texto, isoladamente.

"Ah, mas tem matérias de diagramação". O caralho. Não se aprende, na faculdade de jornalismo, a pensar fora da caixa de texto. E daí vem o meu amor pela publicidade.

Porque a publicidade oferece a possibilidade de pensar o imagético. Pensar além da quantidade de caracteres. E é aonde eu estou hoje. Sou um quase jornalista trabalhando com publicidade.

Este blog vai discutir essa posição. Esse limbo entre dois cursos tão próximos (é tudo comunicação afinal) e, ao mesmo tempo, tão distantes.

Nos vemos por aí.

Um comentário:

  1. Um seguidor você já tem, meu caro. Sou mais um - como você - jornalista publicitário ou publicitário jornalista. Pra gente como nós, o grande erro é colocar limites no fazer, é querer que pensemos somente no que nos cabe. E, sinceramente? Hoje não sei se quero realmente desfazer desse paradoxo, é bom ser tudo isso.

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